O que é o CID
CID é a Classificação Internacional de Doenças, criada pela Organização Mundial da Saúde. É um catálogo que dá um código para cada condição de saúde, pra que médico, hospital, INSS e plano de saúde do mundo inteiro falem a mesma língua.
No Brasil, o que aparece na maioria dos laudos ainda é a CID-10. A CID-11 já existe e está sendo adotada aos poucos, então você pode encontrar as duas.
Como ler o código
O código tem sempre a mesma estrutura: uma letra, dois números, e às vezes um ponto com mais um número.
A letra diz de que grande grupo a condição faz parte. G é do sistema nervoso. F é de saúde mental e comportamento. H é de olhos e ouvidos. Q é de condições de nascença. Z é de situações que não são doença, mas que precisam ser registradas.
Os dois números dizem qual condição é.
O número depois do ponto é o detalhe — e é ele que costuma mudar tudo. H54 é “cegueira e visão subnormal”. H54.2 é visão subnormal nos dois olhos. H54.4 é cegueira em um olho só. São situações muito diferentes, com o mesmo começo de código.
É por isso que faz diferença o laudo trazer o código completo, com o ponto, e não só a letra e os dois números.
Onde o CID aparece
No laudo médico, no atestado, no pedido de exame, na receita, na CAT (quando o caso é de acidente de trabalho), nos documentos do INSS e nos do plano de saúde.
Se o seu atestado não tem CID, isso é escolha do médico e é legítimo: ele só é obrigado a colocar o código com a sua autorização, porque o diagnóstico é informação sua. Mas pra pedir benefício, o código ajuda.
O que o CID faz de verdade — duas coisas
Primeira: ele identifica. O código permite que o perito, o RH, o juiz e o plano de saúde saibam exatamente do que se trata, sem depender de letra de médico ou de nome popular.
Segunda: em alguns casos específicos, ele abre porta direta. Existem listas na lei que funcionam por condição. A isenção de imposto de renda por moléstia grave vale para uma lista fechada de dezesseis condições. A dispensa de carência no INSS vale para outra lista. Se a sua condição está numa dessas listas, o enquadramento é mais direto.
Mas fora dessas listas — que é a maioria dos casos — o caminho é outro: a avaliação de impacto. A Lei Brasileira de Inclusão define pessoa com deficiência por impedimento de longo prazo que atrapalha a participação plena na sociedade. Isso é avaliado caso a caso, olhando a sua vida, e não a sua letra e dois números.
Os códigos que mais aparecem na nossa comunidade
| Código | O que é |
|---|---|
| G40 | Epilepsia |
| G20 | Doença de Parkinson |
| G35 | Esclerose múltipla |
| G80 | Paralisia cerebral |
| G12.2 | Doença do neurônio motor (inclui ELA) |
| F84 | Transtornos globais do desenvolvimento (F84.0 é autismo infantil) |
| F90.0 | Distúrbios da atividade e da atenção (TDAH). O F90 é o grupo dos transtornos hipercinéticos |
| F42 | Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) |
| F60.3 | Transtorno de personalidade com instabilidade emocional (borderline) |
| F31 | Transtorno afetivo bipolar |
| Q90 | Síndrome de Down |
| H54 | Cegueira e visão subnormal (H54.2 é visão subnormal nos dois olhos; H54.4 é cegueira em um olho) |
| H90 / H91 | Perdas de audição |
| Z93.2 / Z93.3 | Ileostomia e colostomia |
O Z chama atenção porque não é doença. Ostomia entra no grupo Z porque é uma condição permanente do corpo, não uma enfermidade — e nem por isso deixa de ser reconhecida por lei.
Se o seu laudo só tem o código
Esse é o erro mais comum, e ele derruba pedido.
Um laudo que diz apenas “F42 — CID” não convence perícia nenhuma. Ele nomeia, mas não descreve. E é a descrição que decide.
O que um laudo forte precisa ter, além do código:
Há quanto tempo você tem a condição. Com que frequência os sintomas aparecem. Quais tratamentos já foram tentados e o que aconteceu com cada um. E, principalmente, o que você deixou de conseguir fazer — trabalhar em certa função, dirigir, estudar, sair sozinho, cuidar de si.
Se o seu laudo não tem isso, peça ao médico. Não é favor: é o documento que a perícia vai ler.
Na prática, o que fazer
Descubra o seu código completo
Com o ponto e o número depois dele. “H54” e “H54.4” contam histórias diferentes.
Confira se a sua condição está em alguma lista fechada
As listas de isenção de imposto de renda e de dispensa de carência do INSS funcionam por condição. Vale olhar antes de qualquer coisa.
Se não estiver, o caminho é provar o impacto
Aí o que importa não é o código, e sim o laudo descritivo, o histórico e os documentos que mostram o que mudou na sua vida.
Guarde tudo
Exames antigos, receitas, relatórios, atestados. A perícia avalia trajetória, não uma foto do dia.
Você não precisa enfrentar isso sozinho
A YOUNION é a primeira rede social feita para pessoas com deficiência e suas famílias. Aqui você encontra outras pessoas que já passaram pelo mesmo processo e podem te ajudar.
Entrar na comunidade →Se esse guia ajudou, tem mais.
Os guias vão continuar aqui, sempre de graça. E na YOUNION você encontra também vagas em empresas que precisam contratar PCD por lei, e pessoas que vivem o que você vive.
Criar minha conta — é grátis →Compartilhe com quem precisa
Conhece alguém que precisa saber dos seus direitos? Compartilhe — informação que chega na hora certa muda uma vida.
Pode ter mudado. Regras de benefícios PCD mudam toda hora e variam por cidade. Isto é um ponto de partida — confirme no órgão oficial (INSS) antes de decidir.
Ajude a comunidade. Foi ao órgão e a regra estava diferente? Avise a gente (contato@younion.social.br) — a gente atualiza e avisa todo mundo. Aqui, cada um cuida de todos.